Desenvolvendo competências e espiritualidade

jornada_corpo_humano_2O momento atual requer que os profissionais, além de estarem preparados para a competitividade que o mercado impõe, pela aquisição de conhecimentos e desenvolvimento de habilidades específicas à atividade profissional, também tenham ética, inteligência aguçada, autoconfiança, transparência, criatividade, flexibilidade, espírito de cooperação e de comprometimento. Trilhar o sucesso e desenvolver as competências exige ferramentas e esforços valiosos para que mudanças aconteçam e o mundo dos negócios seja enfrentado.

Na teoria das inteligências múltiplas desenvolvida pelo psicólogo Howard Gardner, cada indivíduo tem desde a infância um talento natural, uma vocação para determinada atividade e isso determinará que tipo ou tipos de inteligência sejam mais predominantes em sua vida. De acordo com esta teoria existem sete tipos de inteligências e atualmente são acrescidas mais duas totalizando oito: lógico-matemática; lingüística; musical; espacial; corporal-cinestésica; intrapessoal; interpessoal; naturalista e existencial.

Além dessas inteligências, está a capacidade criativa como âncora do desenvolvimento. Sem essa habilidade a pessoa fica retida em atitudes e crenças que não contribuem com um mundo em constante transformação. Para que a criatividade seja utilizada para o melhor desempenho do indivíduo, é preciso um olhar mais atento para si mesmo, rever suas ações e reações diante do imprevisível e observar quanto da capacidade de resiliência temos presente na tomada de decisões entre tensão do ambiente e vontade de vencer.

A auto-observação é uma característica da inteligência intrapessoal que favorece o desenvolvimento dessa resiliência, das competências pessoais, da percepção das capacidades, habilidades e talentos presentes ou não na formação do indivíduo. Ao focarmos o olhar e reflexão no auto-aperfeiçoamento do ser integral aperfeiçoamos qualidades, valores e superamos situações que afetam emocionalmente no desempenho profissional.

O profissional do mundo contemporâneo precisa além do domínio de conhecimento da atividade que desenvolve também um bom nível de satisfação como pessoa. Dentre as ferramentas que o levam ao grau cada vez maior de realização constam: autoconsciência do eu-emocional, justa auto-avaliação, autoconfiança, autocontrole, transparência, adaptabilidade, superação, iniciativa.

Para tanto, o desenvolvimento da inteligência intrapessoal e interpessoal são importantes para o reconhecimento das próprias emoções e o impacto delas nas relações com os colegas é a primeira dica. A partir delas, dar um passo a mais ao estar atento aos sinais que a intuição fornece. Ao desenvolvermos bem essa função psíquica, a intuição torna-se como um guia para a tomada de decisões. Isso requer um treino por estarmos muito acostumados a agir a partir do julgamento racional onde muitas vezes não alcançamos os objetivos por nos fundamentarmos nos limites e possibilidades que racionalmente vemos no outro e em nós mesmos.

Somos conseqüência de uma cultura que não valorizou a capacidade de ouvir a voz interior e, em decorrência disso, nos deparamos com situações que desafiam além das competências, somos pegos de surpresa e o que calculamos ser alcançável, de uma hora para outra revela outra realidade não esperada. Nos tempos de impermanência a sabedoria está na escuta inclusiva, um silêncio da mente para perceber qual a melhor ferramenta para a situação, qual atitude a ser tomada e em qual momento para o melhor resultado para todos os envolvidos. Há uma sintonia fina com o universo.

Ao aprendermos a valorizar o desenvolvimento da capacidade intuitiva adquirimos um sólido senso do nosso valor e confiança, assim como a capacidade de manter as emoções e os impulsos prejudiciais sob controle favorecendo o desenvolvimento de vínculos saudáveis e produtivos. Aprendemos sobre honestidade e integridade, e o que é digno de confiança por ser a conexão com nossa dimensão espiritual.

No mundo contemporâneo ainda presenciamos a crise de falta de tempo e deixamos de cuidar de nosso lazer, da convivência em família, das atividades desportivas, da nossa espiritualidade que completam o investimento no desenvolvimento do cidadão em todas as suas dimensões. O arquétipo de Jonas nos fala justamente dessa falta de tempo na escuta interior resultando em atitudes guiadas pelas crenças do ego e não da consciência superior através da intuição. Rompemos a conexão de confiança com o mestre interior e conduzimos nossa vida confiando no limitado eu da personalidade.

È tempo de irmos além de nossas competências e inteligências e desenvolvermos um dos caminhos mais significativos para a paz interior, essa paz que favorece nosso melhor desempenho em cada situação profissional que vivemos. A prática em ouvir a intuição favorece que tenhamos uma visão maior dos acontecimentos e soluções inovadoras para os velhos e novos desafios.

A escuta interior é imprescindível neste mundo onde a impermanência é tão presente, Pela ausência dessa prática, muitas vezes seguimos um caminho que nos parece o mais lógico e diante das conseqüências, não entendemos porque as experiências vividas são repletas de tempestades, resultando danos em nossa saúde, nas relações e nos resultados alcançados.

Imagem:  Fonte desconhecida

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