Páscoa – Tempo de Renovação

desert-pascoaA Quaresma é o tempo de renovação através da atenção da consciência no trabalho de purificação e regeneração. Vivemos essa celebração cristã em pleno outono e se abrirmos nossa escuta ao livro de Sabedoria da Natureza, teremos consciência que estamos vivendo um convite ao desapego, à liberação de pensamentos e condutas que não são mais necessários porque perderam o viço assim como as folhas das árvores perdem seu verde brilhante, amarelam e caem das árvores.

Segundo Omraam Mikhaël Aïvanhov (1900/1986), em sua obra “O Natal e a Páscoa na tradição iniciática”, 1982 -Edições Prosveta, a verdadeira ressurreição do ser humano não se faz num instante, mas progressivamente. Fazendo uma referência simbólica ao que ocorre quando acendemos uma vela e todo o entorno se ilumina, lembra-nos que desde o momento em que acendemos uma célula do nosso coração ou do nosso cérebro, mesmo que todas as demais células não estejam acesas, elas poderão vir a estar. Isso é representado no rito da Páscoa quando o sacerdote acende o círio, depois transmite a chama ao círio de seu assistente, e assim, pouco a pouco, acendendo cada um o seu círio com o do vizinho, em breve toda a igreja está iluminada.

Aprofunda esse ensinamento esclarecendo que a partir do momento em que acendemos uma célula, todo o nosso corpo pode ser aceso e iluminado, sob a condição, evidentemente, da natureza inferior de nossa psique não vir a se opor ao processo de regeneração. A ressurreição definitiva subentende que já se realizaram várias ressurreições.

Enquanto o ser humano não quiser ceder em sua consciência o espaço para sua consciência superior, não há como a Luz se manifestar nas quatro dimensões do ser: física, emocional, mental e espiritual. Evoluir espiritualmente significa reconhecer e transcender nossa vulnerabilidade, nossa fraqueza, nossos medos. Aceitar morrer nos vícios e hábitos que nos mantém desconectados de nossa essência divina, para viver uma vida diferente, na qual nos conectamos com o sentido sagrado de nossa existência. Isso é o verdadeiro heroísmo. Os verdadeiros heróis são aqueles que não tem medo de desaparecer para ser substituidos pela divindade.

Vida e morte… Tudo está contido nestes dois processos. É preciso morrer para possuir a verdadeira vida e, para podermos viver conscientemente esse processo, é necessário entrar no deserto, ir para o nosso interior, escutarmos a nossa voz sábia do coração e desenvolver o discernimento para ressucitarmos em tudo que já está sem vida.

Jean-Yves Leloup, filósofo, padre ortodoxo (hesicasta), em sua obra “Deserto… desertos” nos convida a aprofundar essa imersão em nosso deserto interior. Suas palavras nos inspiram e sugerem o que é viver e morrer a cada instante.

Deserto, desertos

Editora Vozes, 1998

CADA UM TEM SEU DESERTO A ATRAVESSAR

O que evoca para nós a palavra deserto? Silêncio, imensidão, vento abrasador? Não apenas. Evoca também sede, miragens, escorpiões… e o encontro do mais simples de si mesmo no olhar assombrado e surpreso do homem ou da criança que brota não se sabe de onde – entre as dunas?

Existem os desertos de pedras e de areias, o deserto do Hoggar, de Assekrem, de Ténéré e do Sinai e de outros lugares ainda… o deserto é sempre o alhures, o outro lugar, um alhures que nos conduz para o mais próximo de nós mesmos.

Existem os desertos na moda, onde a multidão se vai encontrar como um pode tagarela, em espaços escolhidos, onde nos serão poupadas as queimaduras do vento e as sedes radicais; deles se volta bronzeado como de uma temporada na praia, mas ainda por cima, com pretensões à “grande experiência”, que nos transformaria para sempre em “grandes nômades”…

Existem, enfim, os desertos interiores. Temos que falar deles, saber reconhecer o que apresentam de doloroso e tórrido, mas tentando também descobrir, aí, a fonte escondida, o oásis, a presença inesperada que nos recebe, debaixo de uma palmeira sorridente, em redor de uma fogueira onde a dança dos “passantes” se junta à das estrelas. Pois o deserto não constitui uma meta; é, antes, um lugar de passagem, uma travessia. Cada um, então, tem a sua própria terra prometida, sua expectativa que deverá ser frustrada, sua esperança a esclarecer.

Algumas pessoas vivem esta experiência do deserto no próprio corpo; quer isto se chame envelhecer, adoecer ou sofrer as conseqüências de um acidente. Esse deserto às vezes demora muito a ser atravessado.

Outras pessoas vivem o deserto no coração das suas relações, deserto do desejo ou do amor, das secas ou dos aborrecimentos que não aprendemos a compartilhar.

Há também os desertos da inteligência, onde o mais sábio vai esbarrar no incompreensível e o mas consciente no impensável. Só conseguimos conhecer o mundo e as suas matérias, a nós mesmos e às nossas memórias quando atravessamos os desertos.

Temos, finalmente, o deserto da fé, o crepúsculo das idéias e dos ídolos, que havíamos transformado em deuses ou em um Deus, para dar segurança às nossas impotências e abafar as nossas mais vivas perguntas.

Cada pessoa tem seu próprio deserto a atravessar. E a cada vez será necessário desmascarar as miragens e também contemplar os milagres: o instante, a aliança, a douta ignorância e a fecunda vacuidade.

http://www.jeanyvesleloup.com/br/texte.php?type_txt=0&ref_txt=89

Jean-Yves Leloup, doutor em Psicologia, Filosofia e Teologia, escritor, conferencista, dominicano e depois padre ortodoxo, oferece através dos seus livros, conferências e seminários um aprofundamento dos textos sagrados, assim como uma abordagem e uma reflexão extremamente ricas sobre a espiritualidade no quotidiano graças à uma formação pluridisciplinar de rara complementaridade. Membro da organização das Tradições Unidas, doutor honoris causa e ciências da Universidade de Colombo (Sri Lanka), Jean-Yves Leloup ensina na Europa, nos Estados Unidos e na América do Sul em diferentes universidades e institutos de pesquisa em antropologia fundamental. É autor de mais de cinqüenta obras, além de ter comentado e traduzido os evangelhos de Tomé, Maria de Magdala, Felipe e João. Ele participa igualmente de vários encontros entre as diversas tradições.

http://www.jeanyvesleloup.com/index.html

Omraam Mikhaël Aïvanhov (1900, Serbtzi , Macedónia – 1986, Fréjus , França ) filósofo, pedagogo, alquimista, místico e astrólogo.He was a disciple of Peter Deunov (Beinsa Douno), the founder of the Universal White Brotherhood . Aos 17 anos de idade, depois de uma infância cheia de privações, que ele conheceu Mestre Peter Deunov, o fundador da Fraternidade Universal Branca, na Bulgária. In 1937 Deunov entrusted him with bringing his teaching to France. Em 1937 Deunov confiou-lhe trazer seus ensinamentos para a França. During the next 49 years, up to his death, he developed the teaching of the Universal White Brotherhood, giving more than 5000 lectures. Durante os seguintes 49 anos, até sua morte, ele desenvolveu o ensino da Fraternidade Universal Branca, dando mais de 5000 palestras.

He taught mainly in France, but also traveled a great deal, in Switzerland, Canada, the USA, the UK and Scandinavia. Ele ensinou principalmente na França, mas também viajou muito, na Suíça, Canadá, EUA, Reino Unido e Escandinávia. His works (44 pocketbooks and 32 complete works) are based on his lectures, which were recorded either in shorthand or on audio/video tape. Suas obras (44 carteiras e 32 trabalhos completos) são baseados em suas palestras, que foram gravadas tanto em estenografia ou em fita de áudio / vídeo. They are published by Prosveta. Eles são publicados pela Prosveta.

Aivanhov ensina que todos, independentemente de raça, religião, posição social, capacidade intelectual ou de meios materiais, é capaz de tomar parte na realização de um novo período de fraternidade e paz na terra. This happens through the individual’s personal transformation: growth in perfection and in harmony with the divine world.

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