No Deserto…

Entrego meu corpo ao solo árido
Esse corpo que nasceu imaculado
Que foi ferido e marcado
Pelas sentenças de “culpado”
Pagando tributo à sociedade adoecida

Entrego meu corpo ao deserto
Onde finalmente desnudo
Exponho as vergonhas
Liberto-me das sombras
Das tarjas opressoras
Das reprovações

Apesar de todas as marcas
Dou graças que em meu corpo sofrido
Os olhos se mantém vivos
Fixos no horizonte
Em busca da Sagrada Fonte

Redescubro sonhos
Vontades dalma
Cada qual enterrada
Asfixiada e abafada
Como um fino veio dágua
Oprimido entre rochas
Seguindo confiante
Em seu tênue fluxo
Em direção ao oceano

Entrego-me à impermanência
Vivendo a experiência presente
Em cada ciclo mutável
E tudo em meu ser morre
Tudo em meu ser renasce
E no meio de cada ciclo
O espaço vazio
A pura consciência

Em profundo silêncio
Ajoelho-me e o solo afago
Pedindo a ti Amada Mãe
Que me acolhas
Que me aconchegues
Que novamente me guies
A sentir os belos aromas das flores
Para que acima do jasmim e do sândalo
Eu inspire o especial aroma
De Vossa divina Presença

Aqueça-me com os raios do Sol
Nutra-me com o leite da Vida
Para que em meu corpo de argila
Sat-chit-ananda
Volte a pulsar
O Todo – um ser sem limite
A consciência pura
A perfeita bem-aventurança

 

Por: Erica Brandt

Data: 15/04/2010

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